Subir os 1350 degraus da Fortaleza de São João em agosto
Disse a mim mesmo que começaria às sete. Comecei às nove, porque o café perto da Porta do Mar era bom demais para apressar, e esse atraso de noventa minutos é toda a história desta subida.
O que as nove da manhã realmente sentem na subida
A Fortaleza de São João fica a cerca de 260 metros acima da cidade velha de Kotor, e o caminho até lá tem perto de 1350 degraus, consoante a forma como se contam os troços irregulares. O número é citado por todo o lado, e depois de fazer a subida acredito nele, embora nunca tenha parado para os contar — ninguém conta, a partir do degrau quatrocentos. O que vos posso dizer com precisão é o tempo: 1 hora e 20 minutos porta a porta, a partir da porta da cidade velha, incluindo duas pausas para água e uma paragem longa só para deixar o coração acalmar.
Os próprios degraus são a primeira surpresa. Não são uniformes. Séculos de pés, cascos de mula e chuva gastaram a pedra até formar superfícies lisas e ligeiramente inclinadas, com alturas que variam de degrau para degrau, por isso não se consegue entrar num ritmo como numa escada moderna. Alguns troços são amplos terraços de lajes com um muro baixo para apoiar; outros estreitam-se numa curva de gravilha em fila única, com pedra solta debaixo dos pés. A meio do caminho, os meus tornozelos já trabalhavam mais do que os pulmões.
O problema do calor, em números
Kotor em agosto costuma rondar os trinta e poucos graus Celsius ao meio-dia, e o caminho da fortaleza quase não tem sombra. Uma pequena mancha de árvores na base e alguns metros de cobertura junto às muralhas são o único alívio em toda a rota. A pedra debaixo dos pés e a face calcária do penhasco de um dos lados irradiam calor de volta, e a baía lá em baixo reflete a luz do sol para cima, por isso faz mais calor no caminho do que a temperatura registada na cidade faria supor.
Levei uma garrafa de 500 ml. Foi um erro. Acabei-a a meio do caminho, no terraço intermédio, e passei o resto da subida a racionar goles, o que não é algo que se queira fazer numa ascensão de 260 metros ao sol direto. Os funcionários na bilheteira vendem pequenas garrafas a preços de turista, e em plena época, a meio da manhã, por vezes escasseiam. Leve pelo menos 1,5 litros por pessoa, comprados numa loja da cidade velha antes de começar — custa uma fração do que se paga a meio do caminho, e ficar sem água é uma posição genuinamente má numa escadaria de pedra exposta.
| O quê | Número |
|---|---|
| Degraus (aproximado) | 1350 |
| Desnível | ~260m |
| Ida e volta, ritmo médio | 1h a 1h30 |
| Preço do bilhete (bilheteira, a meio do caminho) | 8–15 EUR, varia com a época |
| Água a levar | 1,5 litros no mínimo por pessoa |
| Sombra na rota | Quase nenhuma |
| Melhor hora de início | Antes das 8h ou depois das 18h |
A bilheteira a meio do caminho
Não se paga na base. A bilheteira fica sensivelmente a meio da subida, com pessoal na época alta, e o preço tem oscilado entre 8 e 15 EUR ao longo dos anos em que o tenho acompanhado, por isso trate qualquer valor único que leia como uma fotografia do momento, não uma promessa. Dinheiro em euros é a aposta mais segura; leitores de cartão numa banca tão remota não são algo em que eu confiaria.
Depois da bilheteira, o caminho volta a ficar mais íngreme até às ruínas da fortaleza e ao miradouro final, onde a subida ganha a sua reputação — toda a cidade velha de Kotor estendida lá em baixo junto à baía, com a água a curvar-se em direção a Perast num sentido e a Dobrota no outro.
Quando o município a fecha
O que me surpreendeu mais do que o calor foi saber que a subida é encerrada nos piores dias. As autoridades municipais de Kotor já fecharam o acesso à Fortaleza de São João durante alertas de calor extremo e após chuva forte, quando os degraus de pedra polida ficam escorregadios ou o risco de exaustão pelo calor numa rota exposta e sem abrigo é considerado demasiado alto. Não encontrei nenhuma página de estado central fiável — o mais prático é perguntar no alojamento ou confirmar localmente na própria manhã, especialmente se a previsão apontar para os trinta e tal graus.
Se calhar mal no horário, ou simplesmente não quiser fazer 1350 degraus com o calor de agosto, a boa notícia é que Kotor não obriga a isso. Um passeio de um dia pelos destaques de Kotor, Perast e Budva com
um tour guiado pelos pontos altos da baía
cobre as mesmas vistas ao nível do mar e a partir da travessia de barco de Perast até Nossa Senhora das Rochas, sem qualquer subida de degraus.
Para um circuito mais amplo que também inclua Tivat e as aldeias acima da água,
um tour de e-tuktuk por Prčanj, Tivat e a colina de Trojica
proporciona um desnível e vistas comparáveis enquanto outra pessoa conduz.
A alternativa que ninguém menciona na bilheteira
Existe uma rota gratuita pela mesma encosta: a Escada de Kotor, um antigo trilho de mulas que sobe mais a oeste do caminho principal da fortaleza e volta a juntar-se a ele mais acima. É mais longo, mais irregular debaixo dos pés e igualmente sem sombra, mas evita por completo a entrada paga, caso apenas queira as vistas do cume e não precise de percorrer as próprias ruínas da fortaleza. Só a recomendaria a quem já se sinta à vontade em trilhos acidentados — não é uma versão mais suave da subida principal, é simplesmente outra rota.
O que faria de forma diferente
Começar às sete, não às nove. Essa janela de duas horas antes de o sol apertar a sério é a maior variável em como esta subida se sente. Leve mais água do que parece necessário. Use calçado adequado, não sandálias — a pedra gasta e inclinada penaliza solas planas. E se a previsão indicar calor extremo, pondere trocar a subida por uma manhã na água: um
passeio de um dia pelos destaques do Montenegro com guia
ou um
passeio de lancha pela baía
leva-o para a água, onde pelo menos o calor passa por si em vez de irradiar da pedra debaixo dos pés.
Para planear o resto de uma primeira visita à volta disto, o nosso itinerário de um dia em Kotor e o itinerário de dois dias encaixam ambos a subida à fortaleza numa janela matinal, antes de os grupos dos cruzeiros encherem as ruas da cidade velha lá em baixo. Combine com notas sobre o que levar na mala, onde estacionar antes de começar e o que fazer se o calor apertar demasiado — as farmácias no Montenegro têm sais de reidratação ao balcão, sem receita.
Se preferir explorar a encosta mais alargada a pé depois, a nossa secção de natureza e caminhadas reúne rotas que continuam para lá do cume da fortaleza, e melhor altura para visitar Kotor explica por que motivo o final de maio e setembro tornam esta mesma subida consideravelmente mais agradável do que agosto alguma vez seria.
Subida à Fortaleza de São João: perguntas frequentes
Quantos degraus tem a Fortaleza de São João?
O número mais citado é cerca de 1350 degraus desde a porta da cidade velha até às muralhas da fortaleza, embora não exista uma contagem oficial gravada em pedra. O caminho combina degraus de pedra, curvas de gravilha e alguns troços planos — não é um lanço de escadas contínuo.
Quanto tempo demora a subida?
Conte com 1 a 1,5 horas de ida e volta, a um ritmo turístico médio, incluindo paragens para recuperar o fôlego e tirar fotografias. Caminhantes rápidos e em boa forma conseguem fazê-lo mais depressa; quem parar à sombra ou para beber água a cada poucos minutos deve prever cerca de 2 horas.
Quanto custa o bilhete da Fortaleza de São João?
A bilheteira a meio do caminho cobra entre 8 e 15 EUR, consoante o ano e a época; não há um preço fixo que eu possa dar como definitivo. Leve dinheiro em euros, já que a bilheteira é uma pequena banca, não uma loja com leitor de cartão garantidamente a funcionar.
Há sombra na subida?
Quase nenhuma. Um pequeno troço perto da porta da cidade velha tem alguma cobertura de árvores e algumas secções passam perto das muralhas da fortaleza, mas na maior parte dos 1350 degraus está exposto ao sol direto, com a baía a refletir ainda mais luz e calor.
Quanta água devo levar?
Pelo menos 1,5 litros por pessoa em agosto, mais se subir depois das 10h ou com crianças. Não há onde reabastecer pelo caminho, e a pequena banca junto à bilheteira nem sempre tem água fria em stock ao meio-dia.
A Fortaleza de São João alguma vez fecha?
Sim. O município de Kotor já fechou a subida durante alertas de calor extremo e chuva forte, quando os degraus de pedra gastos se tornam genuinamente perigosos. Não existe uma página de estado em tempo real, por isso convém confirmar localmente no próprio dia se a previsão apontar para temperaturas acima dos 35°C.
Existe uma alternativa gratuita ao caminho pago da fortaleza?
Sim, a Escada de Kotor, um antigo trilho de mulas que sobe a mesma encosta mais a oeste e volta a juntar-se ao caminho principal mais acima. É mais longo, menos cuidado e igualmente sem sombra, mas evita por completo a bilheteira.
Qual é a melhor hora do dia para subir em agosto?
Antes das 8h ou depois das 18h. Já às 9h o sol está forte e os degraus de pedra irradiam calor; ao meio-dia torna-se desconfortável mesmo para quem está habituado a climas quentes. Uma subida cedo também significa que a cidade velha lá em baixo ainda está tranquila antes de chegarem os grupos dos cruzeiros.
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